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1. A verdade e a mentira
No documento que o Dr. Élio Maia submeteu no dia 22 de Outubro último à reunião de Câmara, como fundamento para a operação de saneamento financeiro do Município, pode ler-se, na pág.32, no Quadro XVIII, que o Passivo Total do Município, ascende, à data de 31 de Agosto de 2007, ao valor de 157.790.344, 83. Este valor anda próximo daquele que sempre sustentei. Ora, o Sr. Presidente da Câmara, ainda há uns dias tornou a afirmar, em entrevista, que a dívida da Câmara de Aveiro ronda os 250 a 300 milhões de €!!! Ou o Dr. Élio Maia está a mentir aos seus colegas vereadores e à Assembleia Municipal, ou o Dr. Élio Maia mentiu para a comunicação social.
2. No Relatório da auditoria da Auren, encomendado pelo Executivo do Dr. Élio Maia, concluía-se, na página 78, que o passivo exigível da Câmara, em Outubro de 2005 (dívidas de curto, médio e longo prazo) totalizava 154 milhões. Ou o Relatório da Auren estava errado e então o Dr. Élio Maia devia-o ter denunciado, ou estava certo e, então, o Dr. Élio Maia devia pedir desculpa aos aveirenses por, cientemente, continuar a enganá-los.
3. Nesse mesmo Relatório concluía-se, na página 87, que, à data de 22/10/2005, o passivo exigível de todo o grupo municipal, (Câmara, SMA e todas as empresas municipais), de curto, médio e longo prazo, era de 168 milhões. Ora, ao longo de dois anos, o Dr. Élio Maia afirmou aos aveirenses sucessivamente, que o passivo, ou a dívida, ou ambas as coisas, era de 180, 200, 220, 250 e, finalmente, talvez 300 milhões de Euros !!!. Talvez o Dr. Élio deva cessar, de uma vez por todas, com este obsessivo exercício de adulteração da verdade.
4. Há limites para o embuste político. Que o Dr. Élio Maia estivesse mal informado há dois anos, ainda se compreende, embora o não desculpe. Que ele sistematicamente insista num número que sabe ser falso, não se desculpa, embora se compreenda. Que ele ao fim de dois anos continue a divulgar dados que são falsos, face aos documentos que ele próprio subscreve, não se desculpa nem se compreende. O problema já não é o montante da dívida da Câmara anterior. O problema é a dívida desta Câmara com a verdade.
5. Há várias hipóteses a considerar para explicar este fenómeno, antes que o povo julgue o carácter político do Dr.Élio: a primeira é a de que o Dr. Élio não lê os documentos. Mas isso seria gravíssima irresponsabilidade. A segunda é a de que todos os estudos sobre a dívida estejam errados. Mas isso seria improvável incompetência. A terceira é que o Dr. Élio tenha lido os documentos e que os documentos, no essencial, estejam certos. O Dr. Élio anda, então, a enganar outra vez os aveirenses. Mas isso é uma indignidade política.
6. Nesse valor incluem-se todas as dívidas de médio e longo prazo. Para pagar esses 154 milhões, que se vencerão nos próximos vinte anos, a Câmara de Aveiro, quando as contraiu, tinha uma perspectiva de receitas para o mesmo período de 1000 (mil) milhões de Euros, avalizada pelo Tribunal de Contas - que aprovou todos os empréstimos e operações financeiras – e ainda dispunha de capacidade de endividamento, como a Auren reconhece no seu relatório e como o Dr. Élio reconhece, ao propor um empréstimo de 58 milhões de Euros!
7. O Dono das Obras
Como se já não bastasse uma obsessão doentia com a distorção dos números, o Dr. Élio, lembrou-se agora, num delírio politicamente esquizóide, mas que é muito triste sinal de si mesmo, de reclamar como sendo suas, as obras realizadas nos meus mandatos. É patético. É anedótico. Uma coisa é nada fazer. Outra coisa é tentar passar a ideia de que o que está feito é seu. É muito feio. Diz que as obras são de quem as paga. É verdade, mas quem as paga não é o Dr. Élio. As obras a que aludiu são pagas por todos os aveirenses. Foram feitas pelos meus Executivos. Mas são propriedade de todos os aveirenses. A única contribuição que o Dr. Élio tem dado a essas obras é tentar denegri-las. É preciso ter alguma desfaçatez para ainda vir agora afirmar que são suas…Haja decoro.
8. O balancete reumatóide
É certo que o balanço que fez de dois anos de mandato é um acto de coragem: sublinhar que nada se fez, pretendendo o contrário é próprio de politiqueiros excelentes a fazer politiquinhas medíocres. O Dr. Élio vem dizer que já fez mais de 50% do que prometeu. É verdade: ele não tinha prometido nada…Mesmo assim conseguiu elencar 21 acções. Ora admitindo que essas acções se fizeram, isso dá o estonteante ritmo de menos de uma acção por mês: é uma estafa!
9. O grave, porém, é que o elenco é uma ilusão e uma dolorosa confissão de inépcia: Reforço da integração e acompanhamento sobre zonas de risco? Desenvolvimento do Programa Sorria? Criação da Agência de Energia do Baixo Vouga? Ligação à Net da Casa Municipal da Juventude? Limpeza de monumentos? Ponte do Côjo? Qual ponte? Contactos permanentes com autarcas, Juntas e Assembleias? Festas da Ria? Enfim, uma mão cheia de nada. Depois claro há o cavalgar nas “obras” que deixáramos em curso: Plano de Pormenor de Rasos? Vidor? Não haverá mesmo vergonha? EPA? Frapil? Querem que se conte a história toda? Terreno para a Diocese? Avanço para a construção de casas em Cacia? Mas o Dr. Élio ainda não foi lá ver que as deixámos quase prontas? Construção da Pista de Remo? Mas afinal não foi de novo adiada pelo Dr. Élio? Fim das obras na unidade de Saúde de Sta Joana? E ainda tem a coragem de se ufanar dos crimes de acabar com as Avenidas de Sta Joana e S. Bernardo? E do atraso na inauguração do Manuel Firmino? E do atraso na activação do ferry boat? Enfim, sobram, para nossa tristeza, um conjunto de medidas financeiras erradas e demagógicas. Isto não é um balanço de futuro. Isto é um mero balancete de quem não tem futuro.
10. O legado do anterior Executivo
O valor de 154 milhões de Euros é, mesmo assim, um valor elevado. Importa que os aveirenses não se esqueçam como é que se chegou a ele. Façamos, então, contas. Se a este valor deduzirmos o montante imputável ao Estádio e acessos, de 62 milhões de Euros, chegamos a 92 milhões. E bem se compreende a importância que o Estádio teve na degradação financeira. Se deduzirmos aos 92 o montante imputável à conclusão de 98% da rede de saneamento, de 20 milhões, ficamos com 72. Se deduzirmos a esse montante os factorings celebrados com a SUMA e com a ERSUC – empresas cujos contratos de prestação de serviços já existiam antes de eu ter chegado à Câmara, chegamos a 63...
11. Deduzam ainda o Teatro Aveirense, a Capitania, a Praça do Peixe, o Parque de Feiras, o Mercado Manuel Firmino, os Paços do Concelho, o Lago da Fonte Nova, o Parque da Fonte Nova, a Escola do Adro, a reconstrução dos muros dos canais, o túnel da Estação, o túnel da Sé, os viadutos de Esgueira, de S. Bernardo e do Eucalipto, o Centro Cultural de Esgueira, o Pavilhão do Galitos, a Piscina do Sporting, a Escola Profissional, A escola de Verdemilho, a Escola das Agras, a escola de Eixo, as habitações sociais em Cacia e no Caião, e em Oliveirinha, o realojamento da Cova das Agras.
12. Deduzam a sede da Junta de Oliverinha, a sede da Junta da Vera-Cruz, a sede da Junta de Aradas, a sede da Junta de Eixo, o relvamento dos campos de futebol de Oliveirinha, de Eixo, de S. Jacinto e de Eirol, o polidesportivo da Belavista, a sede do Bonsucesso, os melhoramentos nas instalações desportivas do S. Bernardo, do Barroca, do Taboeira, de Mataduços, da Fidec, de Nariz e de Requeixo, ou a aquisição do ferry-boat, a aquisição da Quinta da Condessa, a aquisição da Casa Major Pessoa, a construção do parque de estacionamento da Marquês de Pombal, as dezenas de quilómetros de estradas asfaltadas.
13. Deduzam a nova Avenida a Nascente da Estação, a nova Avenida da Forca, a nova Avenida das Agras, e o arranque do Eixo Estruturante, a Ponte do Outeiro, a Passagem Superior de S.Bernardo/Aradas, a Passagem inferior no Centro de Congressos, a supressão de todas as passagens de nível na linha do Norte, as novas instalações dos serviços camarários na antiga Fábrica Campos, as novas instalações dos serviços camarários em Taboeira, a Unidade de Saúde de Sta Joana, o apoio ao novo Centro de Dia do Centro Social de Sta Joana, ao Centro de Dia de Eixo, ao Centro Social de Esgueira, a recuperação do Coreto do Parque, o Parque do Canal de S. Roque, a aquisição de terrenos para o Estádio e para o campo de golfe, a conclusão do Mercado de Santiago, a mudança do mercado Abastecedor.
14. Somem o intenso dinamismo cultural e cívico que promovemos, o apoio constante às colectividades desportivas, culturais e sociais, aos Bombeiros Velhos e Novos, a despoluição dos canais urbanos, a limpeza do espaço público, o tratamento dos resíduos sólidos, a manutenção e modernização dos transportes públicos, a qualificação do espaço público… Somem tudo isso!
15. Somem os Planos aprovados e em curso, a modernização administrativa dos serviços, o Programa Aveiro Digital, as Bugas, a aprovação do Projecto da Pista de Remo e a aprovação do Campo de Golfe, a Polis…Somem as obras do Estado conseguidas, como a nova Estação Ferroviária, a Estação de Cacia, o Arquivo Distrital de Aveiro, o Pavilhão Desportivo da EB de Aradas, da EB de Eixo, da EB de Cacia, da EB de S. Bernardo, a recuperação da Igreja das Carmelitas, a recuperação da Igreja das Barrocas, a requalificação do Museu de Aveiro, em curso.
16. Talvez o Dr. Élio ache que eu deva pedir desculpa por esta obra e muita outra. Talvez os aveirenses comecem a perceber quem é que tem culpas por ter feito e quem é que tem culpas por nada fazer. O Presidente da Câmara de Aveiro não pode ser uma carpideira que todos os dias chora o seu próprio cadáver político. O melodrama da dívida já não comove ninguém. A descoligação já está a alindar o elogio fúnebre. As pessoas já perceberam quem é que tem andado a faltar à verdade. As pessoas já perceberam que os aveirenses têm direito à verdade, ao respeito por uma obra de que se devem orgulhar e a um futuro que esta Câmara não pode dar.
Alberto Souto de Miranda
PS:
Andam para aí muitas entrevistas surpreendentes. Pungentes na revelação do quilate dos próprios. Pedro, que renegou, sentiu-se mal até ao fim da vida. Roma não costuma pagar a traidores. Vamos ver se os pré procônsules os recompensam.
Diário de Aveiro
Photo1: Carlos Daniel Nunes
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1 comentário:
Só tenho um comentário ... dá gosto "ouvir" falar quem sabe. Que saudades ...
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